Muito mais que uma noite de rock, mas o que é Amebairro?

Passada toda a tensão que cercava o período eleitoral, parece que um peso oficialmente saiu das costas de quem vos escreve. Não dá nem pra imaginar que as últimas três semanas tiveram como evento antecessor uma das experiências mais autênticas da minha vida. O que poderia ser resumido em apenas uma noite de muito rock no Camaleão Cultural no centro de Curitiba, necessita de um olhar atento nas entrelinhas daquele 3 de outubro.
Em uma parceria tripla entre Amebairro, Zine Gororoba e Revista Repeteco (nós), o acontecimento se chamou Amebairrock, unindo Granizo, de Curitiba, Isotopxs, de Porto Alegre, Magnólia e Giz, de São Paulo. Bandas que mesclam estilos dentro do que tange o rock, como hardcore e screamo, com duas delas fazendo sua estreia em palcos curitibanos.
Mas o grande objetivo deste texto não é fazer uma resenha dos shows, tecendo comentários opinativos de caráter crítico as bandas (até porque não consegui ficar até o final pois, pasmem, fui mesário no dia seguinte), o grande objetivo está em observar a beleza da organização (palavra-chave) do evento.
Já disse anteriormente que foi um trabalho em três frentes, mas acima disso existem pessoas responsáveis pelo rolê ter saído do papel, como um grande sonho que após muita batalha se concretiza, então vamos falar dos protagonistas. A começar pela definição básica: organização. O posicionamento eleitoral da Revista Repeteco não foi segredo, incentivamos o voto em Lula por ser contra um espectro político pautado em barbárie, mas para vencer e buscar uma virada foi preciso se organizar.
Organização, coletividade, se sentir igual aos seus iguais, isso não é só teoria marxista horizontal, é o grande objetivo de viver bem em sociedade. Nem toda organização é composta de um batalhão de pessoas, às vezes basta um grupo de amigos e uma ideia.
Em compasso com o Amebairrock, a Zine Gororoba (@zinegororoba no instagram) lançou uma zine especial pro rolê (que inclui até mesmo um texto em parceria com a Repeteco) e a matéria “de capa” é uma versão atualizada de Eu Quero Você Para o Rock, texto escrito por Dhaviaron Westphal, um dos responsáveis pelo Amebairrock, em que através de um relato biográfico ele tenta bolar um guia estratégico de como fazer parte do rock.
Neste sentido e com base no texto, tento responder a algumas questões, incluindo a seguinte…
Sinceramente, não sou a pessoa mais apropriada para responder, minha resposta seria muito parcial pois se trata de amigos que amo muito, mas que conheci já com meus 21-22 anos. Em resumo, é um grupo de amigos desde a época da escola que agora também organiza shows independentes, mas seria injusto defini-los sendo a pessoa de fora, por isso, perguntei a alguns deles como eles respoderiam a pergunta “o que é Amebairro?”. A primeira resposta é da minha amiga Helena, mais conhecida na web pelo vulgo Ratônica. Foi graças a ela que eu conheci o Amebairro.
Helena Ratônica: “É meu grupo de amigos mais antigo, mais duradouro, eles são as pessoas que vão ficar comigo a vida inteira e eles também são as pessoas mais importantes da minha vida. A gente fez essa coisa de virar trademark que eu gosto pela piada, mas quando acontece esse tipo de evento eu percebo que a amizade é mágica”.
Graças a Helena conheci muitas das próximas pessoas que vou citar, como Pedro Gomes, que perguntado como ele definiria Amebairro pra quem não conhece, me respondeu “um grupo de amigos de infância que depois virou uma empresa e um problema social”. Gab Bastos, guitarrista da banda Granizo, membro do Amebairro e aniversariante do dia, disse na ocasião que, por mais que ele seja chato com alguns aspectos, ver o nome Amebairro atrelado a um show assim é algo inacreditável.
Gab Bastos: “Esse rolê é muito foda! É bizarro ter o nome Amebairro nisso, eu nunca vi o Camaleão Cultural tão cheio, principalmente para ver todas as bandas, às vezes as pessoas vem só pra ver o show principal de uma banda mais famosa, mas hoje as quatro bandas tiveram casa cheia. É lindo ver a união, de ter meus amigos da vida e meus amigos da cena de hardcore como se fossem universos colidindo em um só espaço.”
Não consegui perguntar para todos os Amebairros, mas fica meu abraço institucional a pessoas como Beu, Gabi Klug, Luiz, Gi, Isadora, Chico, Gabi Kaj, Sirso, Lu e até mesmo pessoas que não sou muito próximo como Ingrid e Marina. Deixei Dhaviaron pro final pois percebi que mesmo perguntando pessoalmente para ele no dia do rolê, ele já tinha escrito sobre isso no seu texto, então vou parafraseá-lo pela primeira vez.
“Mas fica o questionamento, o que é o Amebairro? Um grupo de amigos? Sim, com certeza, inclusive essa sempre foi minha resposta na ponta da língua ‘somos só um grupo de amigos’. Mas somos ‘só’ um grupo de amigos? Acho que se terminasse aí, você leitor sequer estaria aqui, não é todo grupo de amigos que tem um Substack, uma agenda de eventos anual e uma loja de camisetas online”
A resposta no dia foi algo no sentido de um grupo que gosta de receber gente, algo que é comum para eles e que Dhavi leva ao máximo. É justamente com essa fala que passo pro próximo ponto: a execução de tudo, da concepção da ideia ao dia, que o mesmo descreve como a realização de um sonho.
Um dia antes do Amebairrock, eu estava no bar com meu amigo Dhaviaron e ele me explicou de onde veio a vontade de realizar aquilo que estava prestes a ocorrer. O que me foi descrito foi algo como uma tempestade perfeita e fruto de muito esforço. Primeiro foi a vontade de ver a Isotopxs em Curitiba, um show que nunca tinha acontecido antes. Ele se lembra de ver um story no Instagram do vocalista da banda dizendo que eles tocariam em qualquer lugar, bastava um espaço que os recebessem. Cabe ressaltar que em viagem no início do ano para Porto Alegre, ele acabou conhecendo pessoalmente esse mesmo vocalista, deixando claras suas intenções de levá-los para Curitiba.
Em segundo momento, na metade do ano ele foi em um show da banda Magnólia que teve público abaixo do esperado, se auto desafiando a promover um retorno do grupo aos palcos curitibanos com casa cheia, confiando no potencial da banda que ele gosta. Calhou também de um dos membros da Magnólia ser vocalista da Giz, que nunca tinha tocado em Curitiba e lançou álbum em agosto deste ano. Motivado por todos esses fatores, ele resolveu agir, conversou possíveis datas e espaços e conseguiu marcar um show, um rolê, tendo como última peça desse quebra-cabeça a Granizo, banda de hardcore curitibana que, como já dito antes, tem entre seus membros Gab, amiga de Dhaviaron, que foi descrita como seu “ímã do rock and roll”.
É neste momento que vale a pena destacar que tudo isso se tratou de um imenso trabalho coletivo, como descrito por Dhavi em seu texto:
“Ao Pedro, que dividiu comigo toda a carga de planejar o Amebairrock, ao Luiz e a Dora que de bom grado se ofereceram se ofereceram para ser mão de obra nesse meu plano infalível, a Bruna e o Luvas que toparam associar seus projetos tão importantes com essa bagunça que é o amebairro, a todos os meus amigos que me aguentam falando sem parar disso tudo faz muitos meses, e a VOCÊ que tá lendo isso e fazendo parte do rock com a gente. Sem vocês nada disso seria possível, obrigado por dividir meus sonhos comigo.”
Questionado na data, ainda antes dos shows começarem, qual era a sensação de ver o Camaleão Cultural enchendo e perceber que já tinha dado certo, Dhaviaron foi enfático na grata surpresa.
Dhaviaron: “Cara, não imaginei que ia esgotar, achei que íamos vender metade que a gente vendeu, na lineup dos meus sonhos que, como eu venho falando a tempos, aconteceu. O pessoal curtindo as colaborações, perguntando onde está vendendo a camiseta do rolê (que ele estava usando mas não estava à venda), é muito legal ver gente que eu não conheço, estranhos, abraçando meu projeto. É gratificante demais e eu planejo continuar fazendo isso pra sempre.”
Importante destacar, quase como nota de rodapé, que é o primeiro Amebairrock mas não o primeiro evento do grupo de amigos, que organiza todo ano pelo menos um arraial e um halloween, mas estes não são eventos públicos. Ainda sim, é um esforço enorme da parte organizacional.
Por razões extraordinárias, o destaque inicial do texto esteve no trabalho de quem organizou tudo e fez possível a noite do dia 3 de outubro, mas é preciso pontuar o óbvio, se não fossem as bandas, não aconteceria esse encontro tão comentado. Tive oportunidade de conversar com membros de três das quatros bandas que tocaram no rolê (perdão Isotopxs, eu realmente tive que ser mesário às 7 da manhã do dia seguinte).
Todo o esforço dos envolvidos do Amebairro teriam sido em vão se não tivesse um produto final baseado nos esforços das bandas que estiveram presente. Então, como dito anteriormente, não será papel desse texto julgar os shows e apresentações, mas sim dar voz a quem esteve lá.
A primeira banda que subiu aos palcos naquele sábado foi a Granizo, liderada pelo vocal de Samuel, figura carimbada do hardcore curitibano que tem no seu cerne a palavra mobilização. Como destacado previamente, das quatro bandas que tocaram no Amebairrock, apenas a Granizo era local, questionamos então o vocalista sobre esse espaço conquistado e como a Granizo conversa musicalmente com aqueles grupos vindo de outras cidades.
Samuel: “A Granizo mistura muito vários gêneros, então a gente atrai um público bem diversificado já. Vai a galera punk, a galera emo, mas principalmente a galera mais nova. Querendo ou não é o público dessas outras bandas também, então eu acho que casou bem o nosso show. Sobre ser a única banda de Curitiba a tocar hoje, acho que dentro do que as outras bandas trazem ali a gente conversa bem, apesar de ser bem diferente.”
O show teve diversos momentos, entre homenagens ao guitarrista Gab pelo seu aniversário e manifestações políticas, visto principalmente que a Granizo não tem vergonha de se posicionar, tendo na sua discografia músicas que falam abertamente de problemas sociais ou que declaram apoio à causa Palestina.
Na sequência, uma das estreias em palcos curitibanos, a banda Giz assumiu a bronca de manter a energia do Camaleão Cultural lá no topo. O trio composto por Luccas, Lorenzo e Sonny encontrou, neste que foi o primeiro show do grupo fora de São Paulo, um público novo, mas que engajava com aquilo almejava a Giz.
Luccas: “Foi um show muito importante para nós. A gente já tocou muito em São Paulo e ultimamente nós temos encontrado as mesmas pessoas que nos acompanham real, então eu tava um pouco acuado de vir pra cá e a galera não conhecer tanto. Mas rolou muito, o pessoal sabia cantar, engajou demais nas partes que tinha que engajar e eu acho que é um papel que tem essa importância. Tenho certeza que teve gente que não conhecia e agora vai procurar nosso Spotify pra escutar, tenho certeza que se a gente voltar vai ser melhor ainda.”
Lorenzo: “Eu to explodindo de felicidade, não vou negar, não só por estar todo mundo aqui, a galera ser incrível, todas as pessoas que eu conheci são maravilhosas, a cena de Curitiba é muito boa, muito muito quentinha, muito receptiva e isso foi muito especial pra gente. Estão todos nossos amigos aqui então juntar tudo isso em um só rolê está sendo muito lindo, além de ser sempre muito gostoso conhecer um lugar novo, estar entre pessoas novas e ver gente que eu conheci lá em São Paulo aqui, essa troca entre rolês é sempre muito boa, porque o rolê como um todo cresce.”
Uma coisa que foi falada pelos membros da banda sobre o show me tocou em um momento, o fato de terem pessoas ali presentes cantando as músicas da Giz. A banda conta com pouco menos de mil ouvintes mensais no Spotify, mas números estatísticos não importam quando você vê uma pequena multidão junta, na mesma sintonia que a música que você está produzindo. Questionei os membros sobre a sensação de ver aquilo a quase 500 quilômetros de casa.
Sonny: “É um bagulho meio mútuo, (como o Luccas falou) pra gente é muito bom espalhar o que a gente toca e o que a gente acredita em outros lugares, ao mesmo tempo que provavelmente pra pessoa que canta é porque se identificou de alguma forma com a letra e aquilo foi importante pra ela de alguma forma. Essa troca em um lugar que a gente nunca viu e que não fazia ideia de como ia ser é irado, é onde a arte se consolida.”
Luccas: “A cena tem muita gente nova fazendo música, o que é incrível, espero que continue assim, mas nós somos bicho velho já, 27 anos agora, então quando eu faço as letras eu penso em coisas muito bobas, ver a galera cantando as paradas que eu escrevi, mesmo que bobas, é muito maneiro, porque é pra ser um show leve mesmo, mais descontraído, é legal ver que o pessoal abraça isso.”
Luccas, vocalista da Giz, é também parte da banda Magnólia, que foi a próxima atração da noite. O grupo, também de São Paulo-SP, tem sua identidade voltada para o screamo, algo entre o emo e o hardcore punk. Conversamos com o quinteto composto por Caru, Davi, Fábio, Maya e Luccas logo após o show no Camaleão Cultural, aquela que foi a primeira apresentação em Curitiba após o lançamento do álbum Ternura e Violência.
Questionados sobre voltar ao Sul e fazer turnê divulgando o mais recente disco, os membros do Magnólia falaram sobre a recepção calorosa dos fãs independente do estado em que estavam tocando.
Caru: “Eu fiquei muito impressionado, quando nós subimos no palco e cantamos a primeira música (Canção de amor para amigos), todo mundo começou a cantar tão alto que foi ensurdecedor e foi um dos sentimentos que eu nunca senti na vida, eu queria a muito tempo ouvir as pessoas cantarem no nosso show. É um perrengue fazer turnê, é caro, precisa de tempo, todos nós trabalhamos ou estudamos, então arrumar tempo pra fazer show é algo que nós tentamos e quase sempre conseguimos, e que bom, porque acho que se não fosse isso eu teria uma razão a menos pra continuar vivendo tão feliz como estou vivendo ultimamente.”
Davi: “Também fiquei impressionado ao ver a recepção, o álbum saiu a pouco tempo e tava todo mundo cantando. Teve um momento que nós percebemos aquilo, nós nos olhamos, olhei pro Fábio, pro Luccas que tava do outro lado do palco, a gente falou que lindo, o pessoal sabe as letras, isso é lindo.”
Fábio: “Eu gostaria de citar o Capilé e o Bill que acompanharam a gente durante esse processo que eles falaram para olhar as pessoas nos olhos e viver o momento. Eu sou uma pessoa bem tímida, costumo tocar olhando muito pra baixo, mas eu peguei essa motivação deles e comecei a olhar pra frente, pro público, e eu via a afeição das pessoas, todo mundo cantando as músicas, foi muito especial, Curitiba sempre foi muito especial mas parece que dessa vez foi mais, uma surpresa muito feliz.”
Aproveitei a oportunidade para perguntar diretamente para eles como a banda se via como parte do cenário screamo brasileiro, algo que carregam com orgulho no arroba do Instagram do grupo, ainda mais considerando que é um gênero musical que atrai pessoas mais novas, até mesmo quem ainda está na escola, justamente por ser um lugar seguro para todas as diferenças.
Maya: “Um dos motivos que fez eu, Fábio e Davi começarmos uma banda, no caso a Virtudes, foi ver shows como Ludovic, ou só do Jair Naves, entre outros, que ele sempre repetia ‘tenham banda’, ‘faça seus próprios projetos’ e isso inspirou a gente a começar a nossa banda. Tem uma coisa que eu reparei desde o primeiro show aqui em Curitiba que de fato o pessoal é muito mais animado e parece dar mais valor pro show, algo que não acontece muito em São Paulo, talvez em uma escala menor, mas essa paixão da galera é muito cativada pela nossa atitude, justamente por continuarmos esse loop de incentivar as pessoas a fazerem arte. Por fim, o screamo é algo que está crescendo não só aqui como no mundo todo, porque ele representa muita coisa do que é a nossa juventude, por isso que atrai tanto.”
Caru: “Eu acho que o screamo é essa urgência de poder gritar o que incomoda, gritar o que nós não conseguimos falar. A expressão máxima daquilo que a gente não consegue pôr para fora, ainda mais em um momento como esse, da insurgência da extrema direita, porque é muito preocupante ver pessoas da nossa geração apoiando políticos de direita, nós temos a ideia meio evolucionista de que as próximas gerações vão melhorar mas a verdade é que nós não podemos parar de gritar, não podemos parar de manifestar nossa posição, deixar claro que aqueles de extrema-direita estão errados e não deveriam ter espaço em lugar nenhum, então o grito é uma ferramenta muito importante para se expressar.”
Luccas: “Se a gente faz o que a gente faz hoje, é porque tem gente mais nova e cada vez mais bandas aparecendo e mantendo o rolê acontecendo, então independente se a pessoa se inspirou em nós ou não, obrigado por estar fazendo música, obrigado por manter o screamo vivo.”
Fábio: “Três anos atrás, eu e Maya ficávamos altas madrugadas no Discord vendo vídeos de shows de bandas de screamo em lugares pequenos e deixava a gente fascinado com o rolê que tinha na gringa. Em algum momento surgiu a urgência de fazer alguma coisa no Brasil, eu fui correndo pro Rio de Janeiro gravar um EP da Violeta, consequentemente acho que essa cena de screamo, por ser relativamente pequena, estamos juntos com o Magnólia desde o começo, a vida trouxe eu e Maya pra dentro da banda e é muito bonito ver que três anos depois a gente consegue ver uma cena se formando que nós éramos apaixonados, mas muito distante lá atrás. A galera mais nova, a galera não-binária, que está na margem de tudo e nós estamos fazendo a parada por nós mesmos, seguindo o rolê do screamo brasileiro, que é extremamente importante para não olhar só lá para fora, é muito gratificante ver que isso acontece, perceber que depois de nós também tem outras bandas de screamo surgindo em território nacional. Que o screamo seja o próximo gênero a ficar tão grande porque eu amo esse gênero. Hare Krishna.”
Infelizmente, não consegui conversar com nenhum membro da Isotopxs, que vocês podem responsabilizar o Tribunal Regional Eleitoral por ter me convocado a ser mesário no dia seguinte. Consegui assistir cerca de metade do show, um hardcore pouco convencional, utilizando principalmente uma mesa de sons daquelas de programas de auditório, que a qualquer momento poderia soltar um efeito sonoro. O show, primeiro da banda na cidade de Curitiba, foi marcado principalmente pela manifestação política contra a extrema-direita, da maneira que deveria ser. Fica o convite para a Isotopxs voltar para conseguir assistir a uma setlist completa da banda.
O texto começou falando da importância de se organizar, de se mobilizar para seus próprios desejos e anseios. Resolvo então terminar o presente relato parafraseando novamente Dhaviaron e seu texto com uma mensagem que considero de magnânima importância para quem fica e que tem um pouco de Luiz Inácio Lula da Silva também.
“Mas o Amebairro começou antes disso tudo, o que fez ele deixar de ser ‘só mais um grupo de amigos?’
Organização. O Amebairro tem esse mesmo processo da natureza de estar em constante desacordo com a entropia, antes dessa organização ser compartilhada com o mundo ela já ocorria de maneira privada e particular, nós criamos desenhos, piadas e jogos, planilhas, gráficos e roteiros, o Amebairro tem muita energia pra dispersar, e enquanto a entropia não nos deteriora, vamos construindo ferramentas para enfrentar o caos e a desordem. Disso pra organizar eventos, vender camisetas, revistas (outro spoiler) e começar o Substack; Tudo soa como uma consequência inevitável. A consequência inevitável é o fim, e a consequência inevitável de evitar o fim é se organizar.
Então se organize, entrar numa banda é se organizar, participar de um cineclube é se organizar, escrever um texto pro Substack Amebairro é se organizar, o rock no fim das contas é isso, é o caos canalizado em algo organizadamente desorganizado. Nós precisamos de mais uma Zine Gororoba? Com certeza. Nós precisamos de mais uma Repeteco? Com certeza. Nós precisamos de mais uma banda inspirada em Title Fight que não tem nada de Title Fight? Eu estaria me contradizendo se dissesse que não. Nós precisamos de mais um Amebairro? Vamo com calma também que já tá virando bagunça”
Com base em tudo isso, posso afirmar que também quero você para o rock!
Publicado originalmente por Revista Repeteco.

Nesse domingo, vote 13.

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