Sobre o disco, a Candelabro e seus espaços no novo rock latino-americano

Deseo, Carne y Voluntad não pede licença para ninguém. É o segundo disco da banda chilena Candelabro, lançado em outubro de 2025, e funciona como um objeto estranho no cenário do rock independente latino-americano: um álbum que usa a linguagem católica clássica, como a cruz, cálice, sangue, ressurreição e o bezerro como material para tratar de corpo, doença, memória coletiva e a experiência de habitar o Chile hoje — um país marcado por tensões sociais e políticas. Não é um disco sobre fé, é um disco que usa a fé como ferramenta de leitura de um país.
Por que vale a pena ler sobre ele, e não apenas ouvi-lo? Porque Deseo, Carne y Voluntad foi construído para ser ouvido como unidade — catorze faixas organizadas em quatro atos, arquitetura que a própria banda apresenta ao vivo e que se perde com facilidade na lógica do streaming, da faixa avulsa, da playlist. Por isso, queremos devolver ao disco o tempo que ele pede: acompanhá-lo do início ao fim, notar como uma faixa prepara a seguinte, reconhecer os símbolos que se repetem e se transformam ao longo do percurso.
Você vai encontrar aqui quem é a Candelabro; o momento em que o disco nasceu, entre uma campanha de financiamento coletivo e uma banda em transformação; a arquitetura do álbum como um corpo só; as imagens que atravessam as letras; e o lugar desse disco dentro da tradição musical chilena e do rock latino-americano contemporâneo. No fim, fazemos um convite para continuar ouvindo depois que o texto acabar. O resto, o disco conta.
Antes de virar um nome badalado nos festivais latino-americanos, Candelabro não passava de um vocalista solo procurando uma banda de apoio. Matías Ávila, guitarrista e voz do grupo, havia lançado dois discos por conta própria em 2021, Heterocromía e El destino de las hormigas, e precisava de gente para tocar ao vivo. Foi reunindo esses mesmos colaboradores que, aos poucos, o projeto deixou de ser acompanhamento e virou banda autônoma — adotando o nome Candelabro em 2023 e já estreando com o álbum Ahora o Nunca.
A formação que assina Deseo, Carne y Voluntad é generosa pros padrões do rock independente: Ávila na voz e guitarra, Javiera Donoso nos teclados e voz, Carlos Muñoz no baixo, Franco Arriagada na bateria, Nahuel Alavia no saxofone, além de David Romero na guitarra e Isidora Aldonza no oboé — ela, aliás, ex-integrante da Orquestra Sinfônica Nacional Juvenil chilena, o tipo de currículo que já avisa que o disco não vai se contentar com uma instrumentação padrão de guitarra-baixo-bateria.
Sete pessoas dividindo o mesmo palco, o mesmo repertório de referências, a mesma vontade de fazer barulho. E as referências são plurais, quase deliberadamente contraditórias. De um lado, dá pra sentir um quê de Black Country, New Road e Wilco — bandas que tratam o rock alternativo como território aberto pra experimentação de arranjos, metais estando onde não eram esperados; dinâmica que varia sem aviso. Do outro, a raiz chilena: Congreso e Niños del Cerro, Los Prisioneros, Fulano, Los Jaivas — nomes que atravessam décadas e regimes, do rock progressivo andino ao pop mais afiado politicamente. Candelabro não esconde nenhuma dessas pontas, parece fazer questão de que se ouçam as duas ao mesmo tempo, o estrangeiro e o local, sem hierarquia entre eles.
Essa mistura já rendia frutos no álbum de estreia. Ahora o Nunca chamou atenção rápido — chegou à posição 42 no ranking global do Rate Your Music e foi indicado pela CityLab Global ao Melhor Disco do Ano na categoria música alternativa — mas era, em comparação ao que viria depois, um disco mais tímido, mais próximo da vulnerabilidade adolescente do que da desolação madura que caracteriza o trabalho seguinte. Entre um álbum e outro, a banda cresceu de tamanho, de ambição e, como veremos, de peso temático. Deseo, Carne y Voluntad não nasceu do nada, e sim de uma banda que já sabia se virar com pouco e que decidiu, no segundo disco, não se poupar de nada.
Quando entraram no estúdio para gravar o segundo disco, Candelabro já não era mais uma banda estreante testando o próprio nome. Em 2025, tinham passado pelo Lollapalooza Chile e o Fauna Primavera, além de shows na Argentina e no México.
A gravação em si nasceu de um gesto coletivo. A produção do disco foi viabilizada por uma campanha de financiamento coletivo e a gravação inteira no Estudio del Sur paga pela comunidade de seguidores da banda — ou seja, o próprio público decidiu apoiar aquilo que queria ouvir. E isso é coerente com o que o álbum propõe depois: um disco que fala de “habitar o Chile hoje” tendo sido, literalmente, construído por quem habita o Chile hoje.
E qual era a intenção por trás disso? A banda foi bastante direta em entrevistas. Ávila descreveu o desconforto em escrever um disco inteiro na linguagem católica sem, ao mesmo tempo, entregar uma proposta de crítica real1 — ele fala sobre se sentir mal como compositor por não conseguir sustentar uma canção que fosse crítica, algo que considera essencial e que sente faltar na música independente chilena atual. Não bastava usar a imagética religiosa como estética; era preciso que ela dissesse alguma coisa sobre o país. Essa tensão — entre introspecção pessoal e responsabilidade coletiva de quem tem um palco maior do que a média da cena — atravessa o disco inteiro, e a banda não faz questão de escondê-la nem resolvê-la rápido demais.
Do lado mais público, o posicionamento é ainda mais explícito: a própria Candelabro afirma que os símbolos que usa — a bandeira, a cruz, a ideia de Deus — não são propriedade de nenhum espectro político específico, numa disputa simbólica que dá o tom de tudo que vem a seguir2. Deseo, Carne y Voluntad nasce, portanto, dessa dupla vontade: falar de dor, corpo e fé em primeira pessoa, e ao mesmo tempo recusar que esses símbolos sigam sequestrados por um só lado do debate público chileno.
Ao vivo, Candelabro não apresenta Deseo, Carne y Voluntad como catorze faixas soltas. A banda divide o show em quatro atos — Celebración, Confesión, Juicio e Asunción — uma estrutura que empresta ao disco uma lógica quase litúrgica e teatral. Essa arquitetura ajuda a entender por que o álbum resiste tanto à escuta fragmentada. Tirar uma faixa do lugar é como arrancar uma cena no meio de uma missa.
A abertura já chega avisando o tom, com “Las Copas“, primeira faixa, uma mistura instrumental que usa de um poema como base sonora; não há voz cantando, apenas o texto de “La Bandera de Chile” de Elvira Hernández ecoando sob a música. O disco começa cedendo a palavra à outra pessoa, situando-se antes mesmo de falar por si, dentro de uma tradição literária chilena que atravessa a política e o símbolo nacional. Depois desse gesto de humildade — ou de posicionamento — é que a banda começa, de fato, a falar.
A crítica descreve o disco como um trabalho que usa o contraste como método: passagens densas alternam com momentos mais abertos, e essa alternância é o que sustenta a narrativa sonora ao longo dos setenta e tantos minutos de duração. Não é surpresa, dado o tamanho do elenco — sete músicos, incluindo saxofone e, na formação atual, oboé — mas o disco evita cair na armadilha do excesso instrumental. Podemos descrever certos trechos como paisagens sonoras post-rock construídas por saxofone e cordas, como se viessem “das vísceras” dos próprios integrantes — uma imagem física, quase visceral mesmo, que ajuda a entender por que o disco incomoda tanto quanto envolve.
A produção e mixagem ficaram a cargo de Juan Diego Soto, com coprodução de Matías Ávila e Franco Arriagada, e a masterização assinada por Chalo González. Não é uma produção terceirizada a um nome de fora — é a própria banda, nas figuras de seu vocalista e de seu baterista, segurando as rédeas do resultado sonoro final, o que talvez explique por que o disco soa tão claramente como uma visão de conjunto e não como uma coleção de faixas gravadas em momentos diferentes de inspiração.
O ponto mais evidente disso é a própria faixa-título. “Deseo, Carne y Voluntad”, um interlúdio curto, inserido exatamente na décima posição do disco e fechando um bloco de faixas mais pesadas (“Liebre”, “Pecado”, “Tierra Maldita”), ao que abre caminho para o último terço do álbum, onde a resolução — ou a tentativa dela — começa a se desenhar. É a faixa que dá nome ao disco, mas não é onde o disco acontece; é onde ele respira antes da reta final. Reta final essa que converge em “Cáliz”, a faixa mais longa do álbum, introduzida por trechos de falas da poeta Gabriela Mistral e do biólogo e filósofo Humberto Maturana sobre o fenômeno da ressurreição.
Depois de treze faixas de tensão entre corpo e espírito, o disco escolhe fechar cedendo a palavra a vozes chilenas anteriores — como se Deseo, Carne y Voluntad precisasse validar sua própria pergunta por meio de quem já perguntou antes.
Se há um fio que atravessa as catorze faixas de Deseo, Carne y Voluntad, é a tensão entre corpo e espírito. A crítica especializada descreve o disco como uma obra que aborda a fé como terreno onde convivem culpa, fragilidade e persistência, usando a simbologia religiosa como matéria-prima para revisar a identidade coletiva do Chile. O disco se pergunta o que significa acreditar em algo — em Deus, no país, em si mesmo — sem nunca responder definitivamente.
Os títulos das faixas, antes de tudo, são capazes de construir, sozinhos, um vocabulário: “Prisión de carne”, “Tumba”, “Ángel”, “Pecado”, “Cáliz”. São palavras que pertencem ao léxico católico, mas que a banda desloca do altar para a experiência cotidiana a partir de símbolos como a cruz, o anjo, o sangue e a terra. Vale notar, inclusive, que a própria escolha do título “Domingo de Ramos” carrega um peso duplo: no calendário litúrgico católico, o Domingo de Ramos marca a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém — o auge da aclamação pública, momento em que a multidão o recebe como rei — mas é também o primeiro passo de uma semana que termina na Paixão.
Glória e sentença ao mesmo tempo, o mesmo dia guardando o começo da celebração e o anúncio do sacrifício. Colocar essa faixa na segunda posição do disco, logo depois da entrega inicial a Elvira Hernández, já anuncia que nada, aqui, vai ser somente celebração — todo louvor no disco carrega, dentro de si, à sombra do que vem depois.
Esse cruzamento entre fé e vida urbana chilena aparece também em leituras da faixa “Fracaso”: canção que não fala do fracasso em si, mas da impotência de não poder agir sobre os próprios resultados — de seguir em frente apesar do contexto político, econômico e social.
Pensando no disco como arco, é possível traçar ao menos duas conversas internas. A primeira: “Domingo de Ramos” (a entrada triunfal, o início da semana que termina em sacrifício) conversa diretamente com “Tumba”, três faixas depois — o corpo que, na tradição cristã, precisa passar pela morte antes de qualquer promessa de ressurreição. A segunda: “Prisión de carne” e “Cáliz” formam um par ainda mais evidente, abrindo e fechando o disco quase como pergunta e resposta — a primeira nomeia o corpo como cárcere, a última, na trilha final do álbum, reencontra esse mesmo corpo como recipiente sagrado, não mais prisão. É o disco resolvendo, ao final, a tensão que ele mesmo levanta lá no início.
Antes de qualquer coisa, uma honestidade que a pesquisa impôs: seria fácil, e tentador, encaixar Candelabro na tradição do post-punk. A estética sombria, as guitarras pesadas e o tom quase litúrgico do disco convidam a esse rótulo. Mas, talvez, o mais preciso seria classificar Deseo, Carne y Voluntad como uma fusão livre de art rock, post-rock e indie rock, com trânsito por jazz, funk e noise rock.
Dito isso, a linha entre os gêneros não é tão rígida quanto parece à primeira vista.
Na cena independente chilena atual, post-punk e shoegaze — dois gêneros historicamente separados no tempo — voltaram a se cruzar e se tornaram contemporâneos. Candelabro não é filha direta do post-punk, mas ocupa o mesmo território fértil onde ele voltou a florescer: uma geração de bandas chilenas dispostas a misturar tudo.
Podemos enxergar Candelabro dentro de uma linhagem específica: assim como Los Jaivas, décadas atrás, adaptou o rock progressivo de Yes e Genesis a um idioma andino e local, Candelabro faz o mesmo movimento com o post-rock de Black Country, New Road e o ecletismo de Black Midi, apoiados sobre o legado de Congreso. É uma tradição chilena de tradução — pegar o que vem de fora e reescrever em vocabulário próprio, sem que isso vire imitação nem rejeição.
Vale lembrar que o post-punk e o new wave chegaram ao Chile nos anos 1980, justamente sob a ditadura militar, num contexto de clandestinidade e resistência — um gênero que, desde a origem no país, já carregava peso político mais por necessidade do que por opção. Ainda que Candelabro não seja tecnicamente herdeira direta desse movimento, herda algo do seu espírito: usar a música como espaço de disputa simbólica num momento de tensão nacional.
Em apresentações ao vivo, a banda já expressou crítica direta ao presidente José Antonio Kast e recitou versos do poeta Raúl Zurita, reforçando que a disputa em torno de símbolos religiosos que o disco trava letra por letra também acontece no palco, em tempo real, diante do público.
O reconhecimento veio rápido e de várias frentes: o álbum venceu os prêmios Pulsar 2026 de Melhor Álbum de Rock e Álbum do Ano, além do prêmio de Melhor Disco do Ano da CityLab Global para 2025, e foi eleito álbum chileno do ano pelo crítico Marcelo Contreras, da La Tercera. Não é exagero dizer que Deseo, Carne y Voluntad se tornou, em pouco mais de um ano, um dos discos-referência do rock chileno contemporâneo.
Deseo, Carne y Voluntad chegou a mim enquanto estava em um ônibus lotado, em uma noite do fim de junho de 2026.
A caminho de uma festa, mas esgotado antes de qualquer celebração. Sem bancos livres, nem espaço de sobra. De pé e pressionado entre várias pessoas, o ônibus balançando no ritmo de quem apenas quer chegar a algum lugar. E foi ali, sem escolha, sem cerimônia nenhuma no sentido comum da palavra, e nesse contexto pessoal, o disco teve o cenário ideal para, em suas 1h13 minutos de duração, montar sua imagem litúrgica sobre mim.
Talvez fosse exatamente esse vazio que o disco precisava encontrar. Não cheguei até ele com nenhuma defesa: sem playlist escolhida, sem expectativa, quase sem saber que som ia tocar no fone. Estar entorpecido, naquele momento, era estar em branco — e talvez seja isso que qualquer experiência religiosa sempre tenha pedido de quem participa dela: uma superfície disposta a receber.
Cada faixa parecia um cômodo diferente da mesma mostra — a entrada cedida a Elvira Hernández, o corpo-prisão de “Prisión de carne”, a tumba, o anjo, o cálice final — e eu, visitante silencioso, andando entre elas sem tocar em nada, só olhando. Não sei se é assim que a banda pretendia que o disco fosse escutado. Mas foi assim que ele aconteceu comigo: uma procissão religiosa e política que eu não integrava, mas da qual não conseguia — nem queria — desviar o olhar.
Só depois, já em casa, entendi que não estava sozinho naquela sala de exposição.
Voltei a ouvir o disco nos dias seguintes e fui parar em comentários, em posts, em gente descobrindo Candelabro do mesmo jeito que eu — meses depois do lançamento, meio por acaso, meio por indicação de algoritmo. E aí percebi algo que talvez devesse ter sido óbvio antes: a cena musical alternativa que me interessa parou, faz tempo, de ser sinônimo de banda inglesa ou americana cantando em inglês. Ela cresce em espanhol, em português, em qualquer idioma que tenha algo urgente pra dizer — e cresce todo dia um pouco mais, com gente comum, as vezes, pressionada em ônibus lotados pelo mundo inteiro, tropeçando em discos que não sabia que precisava ouvir.
La Rata. “Candelabro explica tema por tema ‘Deseo, Carne y Voluntad’”. Disponível em: https://www.larata.cl/xtrack/2025/10/08/candelabro-deseo-carne-voluntad-entrevista-cancion-por-cancion-disco-2025/105019/
El Desconcierto. “Matías Ávila, de Candelabro: ‘La bandera de Chile no tiene por qué pertenecer solo al sector más conservador del país’”. Disponível em: https://eldesconcierto.cl/2025/11/06/matias-avila-de-candelabro-la-bandera-de-chile-no-le-tiene-que-pertenecer-solamente-al-sector-mas-conservador-del-pais
La Tercera. “Candelabro, la revelación del rock chileno 2025: ‘Queremos que nuestra música suene en la micro, en la feria, donde sea’”. Disponível em:
https://www.latercera.com/culto/noticia/candelabro-la-revelacion-del-rock-chileno-2025-queremos-que-nuestra-musica-suene-en-la-micro-en-la-feria-donde-sea/
La Rata. “En el idioma de las luces: Candelabro y el rito de Deseo, Carne y Voluntad”. Disponível em:
https://www.larata.cl/review/2026/05/22/en-el-idioma-de-las-luces-candelabro-y-el-rito-de-deseo-carne-y-voluntad/107752/
Nación Progresiva (Patricio Benítez). “Una mirada crítica de la realidad chilena a través del lente de la religión cristiana. Candelabro – Deseo, Carne y Voluntad”. Disponível em:
https://nacionprogresiva.wordpress.com/2026/01/03/una-mirada-critica-de-la-realidad-chilena-a-traves-del-lente-de-la-religion-cristiana-candelabro-deseo-carne-y-voluntad/
Lúcuma. “Candelabro - Deseo, Carne y Voluntad - Reseña”. Disponível em:
https://lucumalucuma.com/resenas-cpt/candelabro-deseo-carne-y-voluntad/
Víctor Vk (Sustrato.io). “Candelabro: Deseo, Carne y Voluntad”. Disponível em: https://www.sustrato.io/textos/candelabro-deseo-carne-y-voluntad
The Clinic. “Candelabro, la banda chilena del momento, tras su exitoso show de La Cúpula”. Disponível em:
https://www.theclinic.cl/2026/05/23/candelabro-la-banda-chilena-del-momento-tras-su-exitoso-show-de-la-cupula-despues-de-esa-euforia-uno-vuelve-a-guardar-los-instrumentos-y-a-irse-en-metro-a-la-casa/
Radio UC. “Candelabro y la consolidación de ‘Deseo, Carne y Voluntad’”. Disponível em:
https://radiouc.cl/candelabro-y-la-consolidacion-de-deseo-carne-y-voluntad-el-manifiesto-chileno-del-nerd-rock/
Futuro Chile. “Una historia única e irrepetible: Candelabro se consagra en La Cúpula y marca un hito para la Nueva Escena chilena”. Disponível em:
https://www.futuro.cl/2026/05/una-historia-unica-e-irrepetible-candelabro-se-consagra-en-la-cupula-y-marca-un-hito-para-la-nueva-escena-chilena
Solo Artistas Chilenos (SACH). “Repartir el dolor y la esperanza en comunión: La histórica ceremonia de Candelabro en La Cúpula”. Disponível em:
https://soloartistaschilenos.cl/repartir-el-dolor-y-la-esperanza-en-comunion-la-historica-ceremonia-de-ca
Publicado originalmente por Revista Repeteco.

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